Tendo abordado várias técnicas como aquarela, serigrafia, óleo sobre tela, e bico-de-pena, presentemente dedica-se à pesquisa de um tema ao qual denominou "Cidades Vazias", produzindo obras de grandes dimensões na técnica de tinta acrílica sobre tela.


Possui extensa trajetória com mais de trinta exposições individuais e sessenta mostras coletivas realizadas em galerias e museus no Brasil e no exterior. Como escritor, Paulo Amaral é autor de textos críticos sobre arte em livros e catálogos e colaborador de jornais brasileiros em que predominam crônicas e ensaios. É também curador, tendo dirigido o Museu de Arte do Rio Grande do Sul por dois períodos ( 1997-1998 e 2003-2006 ).


Representa a Galerie d'Art François Mansart, de Paris, França, para seleção e curadoria de artistas. Mais informações, clicar em CURRÍCULO Conotação urbana e pesquisa audaciosa. por Alfredo Aquino Paulo Amaral é um artista paradoxal. Vem de Bagé, localidade em que a tradição identifica a procedência de importantes artistas gaúchos, entre eles Glauco Rodrigues e Carlos Scliar (este nascido em Santa Maria, mas também integrante do Grupo de Bagé).


Uma tradição exigente, por conseqüência. Seu trabalho como artista é sofisticado e com forte conotação urbana, não se limitando às esquinas de um povoado interiorano, ou às de uma província isolada e distante, mas antes liberto e ansioso de sua condição de cidadão do mundo - em suas obras, em óleo sobre tela, em aquarelas e gravuras estão expressas as características de um artista atento aos aspectos plásticos e arquitetônicos das cidades de geografias diversas, à sutileza da identificação de uma profunda solidão humana, tão intrínseca ao contemporâneo e à ausência das nacionalidades - basta aqui o olhar sem inocência do artista.


Paulo Amaral não é um artista ingênuo. Conhecedor da história da arte e observador do que realizam os artistas contemporâneos de vários países, estabelece com eles o seu diálogo artístico, num mesmo nível e insere-se com sua obra num universo atualizado e inquietante. Assim é mais difícil e isso também resulta em novo paradoxo. O Rio Grande do Sul tem forte tendência a aceitar e promover as artes de inclinações expressionistas, seja em pintura, desenho, gravura ou escultura e mais uma vez o artista, arriscado, transita em rota própria e inesperada. Seu trabalho é sutil, evita os apelos sugestivos e orientadores do espetacular ou do horripilante, "canta" baixinho, sustentado pelo conhecimento técnico, pelo métier apurado, pela erudição e por uma aguda sensibilidade. Cor, texturas, volumes e ritmos fazem a estrutura visível da obra de Paulo Amaral.


Outras leituras são possíveis à partir da percepção individual de cada observador, ou seja , de cada um de nós: sobre uma veneziana antiga entreaberta, a sombra sinuosa de um tronco de árvore sobre uma fachada, a ambigüidade de uma cor improvável sobre o frontão elegante e antigo de três séculos... Mas algo a mais chama a nossa atenção nas rotas de colisão às quais o artista se expõe (e das quais escapa com desenvoltura): um certo prazer em nos oferecer uma postura de iconoclastia constante frente aos dogmas dos materiais, de suas técnicas e dos resultados previsíveis.


Ao observarmos atentamente suas serigrafias percebemos texturas difícilimas de se obter, em sobreposições multiplicadas de cores e um certo sabor a outra técnica de gravura mimetizada àquela primeira, são serigrafias que se parecem a litogravuras, revelando um aspecto novo na linguagem do métier gráfico e da pesquisa do artista. Ao olharmos suas telas recentes, lá está novamente a aventura do pintor : o óleo trabalhado de maneira a sugerir a delicada aparência fluída da aguada, da aquarela ...o que nos surpreende e nos remete a novas maneiras de compreensão de sua pintura - significa dizer - a renovadas e inusitadas sensações, o que certamente é um dos objetivos do artista.